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Criciúma e litoral catarinense entram no radar de quem quer transformar aluguel em patrimônio

Criciúma e litoral catarinense entram no radar de quem quer transformar aluguel em patrimônio

Nos últimos anos, dá pra perceber uma mudança silenciosa, mas consistente, no comportamento de quem mora em Santa Catarina e pensa em imóvel. Em vez de olhar só para a cidade onde nasceu ou trabalha, cada vez mais gente está montando uma estratégia dividida entre Criciúma e o litoral – especialmente Itapema, Porto Belo e Balneário Camboriú. De um lado, a base da vida, do outro, a chance de construir patrimônio em regiões que ganharam força no mapa nacional.

Criciúma, que sempre teve uma economia ligada à indústria, comércio e serviços, vem passando por ajustes de perfil. Muitas famílias continuam escolhendo a cidade para morar, pela rotina mais estável, custo de vida ainda mais controlado em comparação com grandes capitais e pela sensação de “cidade que você conhece de verdade”: você sabe o nome das ruas, entende o movimento dos bairros, conhece quem está chegando e quem está indo embora. Ao mesmo tempo, uma parte dessa população começou a olhar para o litoral catarinense não mais só como destino de férias, mas como lugar onde faz sentido posicionar parte do dinheiro.

Em paralelo, Itapema, Porto Belo e Balneário Camboriú ganharam uma visibilidade que extrapola o estado. As imagens de prédios altos, orlas movimentadas e lançamentos de padrão elevado rodaram o Brasil. Isso puxou não só turistas, mas também investidores, gente com renda mais alta, profissionais liberais e famílias que querem uma segunda moradia perto do mar. Esse fluxo mudou o jogo: imóveis que antes eram vistos apenas como “apartamentos de praia” passaram a ser tratados como ativos de renda e reserva de valor.

No meio dessa movimentação, quem está em Criciúma começou a se perguntar se não está ficando para trás. É comum ouvir frases como “todo mundo está comprando no litoral” ou “se não entrar agora, nunca mais entra”. Esse tipo de frase, repetida sem contexto, empurra muita gente a agir por impulso. Mas por trás do barulho, existe um movimento mais racional de quem realmente para, senta e faz conta.

Para esse público mais atento, o raciocínio costuma ser outro: manter a vida em Criciúma, onde a rotina está estruturada, e usar o litoral como complemento – seja em forma de um imóvel para uso da família, seja como ativo de longo prazo para locação ou revenda. A lógica não é “fugir da cidade”, e sim explorar o melhor dos dois mundos. Em Criciúma, a busca é por imóveis com boa relação custo-benefício para moradia. No litoral, a atenção se volta para localização, liquidez e potencial de valorização real, não a valorização “de conversa”.

Uma consequência clara desse cenário é o aumento da necessidade de informação qualificada. Quem está pensando em comprar imóvel hoje não pode mais se contentar com anúncio genérico e frase pronta. O comprador minimamente consciente quer saber como anda a infraestrutura de cada região, quais bairros de Criciúma têm mais chance de expansão, quais áreas do litoral já atingiram um patamar de preço mais maduro e quais ainda guardam oportunidades em estágio anterior de desenvolvimento.

Outro ponto que ganha peso é a leitura de risco. Nem todo imóvel no litoral é garantia de valorização, assim como nem todo imóvel em Criciúma é automaticamente “mais seguro”. O que muda é a forma de analisar: no interior, a ligação é mais direta com emprego, renda local, empresas âncora e mobilidade dentro da cidade. No litoral, entram na equação turismo, fluxo de visitantes, padrão do público que frequenta aquela praia e capacidade desse público sustentar aluguéis e compras nos valores pedidos.

Essa combinação de fatores faz com que o papel do corretor mude de figura. Em vez de ser apenas alguém que mostra chaves, ele passa a ser uma espécie de filtro entre o hype e a realidade. Em uma ponta, está o cliente de Criciúma, com renda definida, rotina estabelecida, contas a pagar e um nível de risco que não pode ser ignorado. Na outra, estão as oportunidades – algumas boas, outras embaladas em discurso bonito demais. O trabalho sério é justamente separar uma coisa da outra.

A tendência é que, nos próximos anos, esse movimento de “vida em Criciúma, visão no litoral” se intensifique. Não porque virou moda, mas porque faz sentido para um perfil específico de família e investidor: gente que não quer abrir mão de raiz, mas também não está disposta a deixar todo o patrimônio preso na mesma praça. Ao mesmo tempo, quem insistir em tratar imóvel como impulso, e não como decisão de patrimônio, tende a sentir na pele o preço de comprar porque “todo mundo está comprando”.

Para quem está começando a pensar nesse tipo de combinação, o ponto de partida não é escolher a cidade mais bonita, e sim entender o próprio momento. Qual é o tamanho real da renda? Qual é a margem de manobra mensal? Que tipo de imóvel faz mais falta hoje: um para morar melhor em Criciúma ou um para começar a montar renda no litoral? A partir dessas respostas é que a conversa sobre imóveis ganha sentido.

Criciúma e o litoral catarinense não são rivais. São peças diferentes do mesmo tabuleiro. Usar as duas de forma inteligente é o que vai separar quem, daqui a alguns anos, olha para trás e vê um conjunto de boas decisões de quem carregou imóvel caro que não encaixa em nenhuma estratégia clara.

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